Comecei o ano de 2017 sem perspectiva de como seria o ano de verdade, eu tinha planos de viajar para fora do país, estudar inglês e mais nada. Não haviam planos concretos, queria deixar mais uma vez a vida me levar. Até que precisei me mexer (assunto para outro post).

Com todas os empecilhos da falta de grana na infância e adolescência, vieram várias frustrações, raiva e distanciamento do que eu tanto queria que era “mexer com computador”, fui deixando de lado ao mesmo tempo que vieram todas as dificuldades com matemática e a mística de que o mundo é dividido em humanas e exatas e se UMA MENINA não for boa com números e cálculos, deveria esquecer os computadores ou então, deveria ser bonita o bastante para receber ajuda. (Queria muito poder voltar no tempo e falar umas coisas para eu ouvir quando mais nova, me ensinar que meninas podem tudo o que quiserem, me ensinar a me amar e me ensinar que tudo bem as pessoas não gostarem de mim por aparência e padrões.)

Do final do ensino médio, até chegar aqui, no meio de um curso de desenvolvimento, foram 10 anos de erros (enganos?), muitas frustrações, muitas incertezas e tentativas… E ao mesmo tempo que fico orgulhosa com cada projeto que consigo fazer, com cada lógica que consigo desenvolver hoje, vem um sentimento de fracasso pelo tempo perdido e uma insegurança sem fim por ter recomeçado aos 27.

Está sendo bem complicado passar por aqui, lembrar de tudo que já havia sido construído e que ficou para trás. Pedir demissão depois de passar em primeiro lugar em um processo seletivo, lidar com os ex-colegas de trabalho agora como professores pois passei a estudar exatamente onde trabalhava, deixar a estabilidade e independência financeira de lado, os planos de viagens, lidar com a tão cheia de mística matemática…, mas ao mesmo tempo penso se a minha meta era ter aprendido aos 27 tudo que eu faria para o resto da vida. E, era! Aos 21 defini o que eu gostaria de fazer e onde gostaria de trabalhar, alcancei aos 23 e de lá até “agora a pouco”, quando resolvi aprender programação, não haviam desafios.

Eu preciso trabalhar a mente todos os dias para acreditar que dará certo, mas de verdade, não tenho a menor noção de como será. É difícil ter um discurso otimista num cenário machista como o mundo da tecnologia, onde participo de grupos com mais 1 000 mulheres e o que vejo são dificuldades para migrar de área, dificuldade para iniciar sem experiência… mas se eu não acreditasse, não teria começado ou já teria desistido.

Gosto de escrever umas paradas e umas receitas as vezes.

Gosto de escrever umas paradas e umas receitas as vezes.